Vereador e servidores públicos são afastados em operação deflagrada em Macapá; Câmara Municipal emite nota
A Polícia Civil do Amapá deflagrou, na manhã desta quinta-feira, 15, a Operação “Cavalo de Tróia”, que investiga suspeitas de ligação entre integrantes da facção criminosa Família Terror do Amapá (FTA) e agentes públicos. A ação foi conduzida pela Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO).
Durante a operação, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão e também foram determinadas medidas cautelares, incluindo o afastamento imediato das funções públicas de um vereador, de um suplente e de dois servidores públicos.
Segundo a Polícia Civil, o esquema envolveria indicações para vagas de trabalho em empresas terceirizadas prestadoras de serviços à saúde pública e em entidades conveniadas à administração.
A operação segue sob sigilo judicial, e as suspeitas ainda serão apuradas no decorrer do processo.
O que diz a Câmara sobre a operação
O presidente da Câmara Municipal de Macapá, Pedro DaLua, divulgou uma nota nesta quinta-feira, 15, questionando aspectos da operação, que teve como alvo o vereador Daniel Theodoro, eleito vice-presidente da Mesa Diretora para o biênio 2027-2028.
No documento, a Câmara questiona o fato de a operação ter sido deflagrada apenas dois dias após a eleição da nova Mesa Diretora, atingindo um integrante da chapa vencedora. Segundo a manifestação, a sequência dos acontecimentos levanta dúvidas sobre o momento escolhido para a ação e exige esclarecimentos para afastar suspeitas de eventual instrumentalização política da estrutura policial.
A nota também contesta a divulgação das diligências. De acordo com o Legislativo municipal, as buscas se concentraram em apenas duas salas, embora a comunicação da Polícia Civil tenha mencionado gabinetes e dependências da Câmara de forma abrangente.
Diante dos questionamentos, Pedro DaLua informou que, por meio da Procuradoria da Câmara, solicitará o afastamento cautelar do delegado responsável pelas investigações relacionadas ao caso. Também será apresentada uma representação à Corregedoria da Polícia Civil para apurar a regularidade da atuação do delegado e eventual motivação alheia à finalidade investigativa.
Ao final, a Câmara afirma que não se opõe ao combate ao crime organizado nem pretende obstruir as investigações, mas cobra imparcialidade, legalidade e transparência.
“A Câmara não se opõe ao combate ao crime organizado nem pretende obstruir investigações. Exige, porém, imparcialidade, legalidade e transparência. A utilização do aparato policial não pode servir a interesses políticos nem produzir interferências indevidas na autonomia do Poder Legislativo”.
Foto: PC

