Dois réus são condenados por homicídio motivado por dívida de R$ 500 em Santana

Dois réus foram condenados pelo Tribunal do Júri de Santana pelo assassinato de Izailan Santos de Freitas, morto a tiros em agosto de 2023 após ser ameaçado por causa de uma dívida de R$ 500 relacionada a um aparelho celular.

Leonardo Santos do Carmo, conhecido como “Playboy”, recebeu pena de 24 anos, 8 meses e 7 dias de prisão. Ellerson Gonçalves Nunes, o “De Menor”, foi condenado a 21 anos de reclusão. As penas deverão ser cumpridas inicialmente em regime fechado e têm execução imediata.

O julgamento ocorreu na quarta-feira, 10, na 1ª Vara Criminal de Santana. Os jurados consideraram os dois responsáveis pelo homicídio e reconheceram as qualificadoras de motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Ameaças antes do assassinato

Segundo o Ministério Público do Amapá (MP-AP), Izailan foi morto na noite de 11 de agosto de 2023, na Oitava Avenida, no bairro Provedor 2.

A investigação apontou que ele vinha sendo pressionado para pagar uma dívida de R$ 500. Deveyson Souza Santos, conhecido como “Dentinho”, teria feito cobranças e ameaças por meio de uma rede social.

Dias antes do assassinato, Ellerson também teria procurado a vítima para exigir o pagamento. Para o MP-AP, a sequência de ameaças antecedeu a execução de Izailan.

Durante o julgamento, o promotor de Justiça Horácio Luís Bezerra Coutinho apresentou aos jurados as provas reunidas ao longo da investigação e do processo. A defesa dos acusados sustentou a negativa de autoria e pediu a absolvição, mas os jurados decidiram pela condenação.

“No Júri, apresentamos os elementos reunidos durante a investigação e a instrução processual para que os jurados pudessem avaliar a autoria, as qualificadoras e o crime conexo. A decisão reconheceu a gravidade dos fatos e resultou na condenação dos dois executores. Também, Izailan deixou um filho de seis meses, circunstância que foi considerada na fixação das penas, por representar uma consequência concreta do homicídio para além da própria morte da vítima”, destacou.

Organização criminosa

Além do homicídio, os dois foram condenados por participação em organização criminosa armada. Conforme a acusação, Leonardo e Ellerson integravam a organização Amigos Para Sempre (APS), que utilizava armas de fogo em suas atividades.

Leonardo recebeu mais 5 anos, 5 meses e 7 dias de prisão e 16 dias-multa por esse crime. Ellerson foi condenado a 4 anos e 6 meses e 15 dias-multa.

As penas foram somadas em razão do concurso material de crimes, resultando nas condenações definitivas de 24 anos, 8 meses e 7 dias para Leonardo e 21 anos para Ellerson.

Suposto mandante será julgado separadamente

Deveyson também foi denunciado pelo MP-AP e apontado como suposto mandante do assassinato. Entretanto, o processo contra ele foi separado durante a sessão do Tribunal do Júri.

Segundo o MP-AP, Deveyson apresentou condições de saúde debilitadas ao ser levado pelo Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen), ficando impossibilitado de acompanhar o julgamento por videoconferência.

Um novo júri deverá ser marcado para analisar a acusação contra ele. Izailan deixou um filho de seis meses.

Foto: MP/Divulgação