Esporte na Amazônia Legal: região aprova R$ 594 milhões em projetos e desafia centralização de recursos no país

A Amazônia Legal registrou, em 2025, um avanço significativo no financiamento de projetos esportivos e de inclusão social. A região alcançou R$ 321,08 milhões em projetos autorizados à captação pela Lei Federal de Incentivo ao Esporte, crescimento de 62,4% em relação ao ano anterior.

Apesar do resultado histórico, a distribuição dos recursos ainda revela uma forte concentração em outras regiões do país. Desde 2007, o Sudeste ficou com 63,8% de cada R$ 100 efetivamente captados por meio da Lei de Incentivo ao Esporte. Já a Amazônia Legal, que reúne nove estados, representa 14% da população brasileira e mais da metade do território nacional, mas respondeu por apenas 3,57% dos recursos efetivamente captados.

Nesse cenário, iniciativas voltadas à capacitação de organizações sociais têm buscado reduzir as dificuldades enfrentadas por instituições que conseguem aprovar projetos, mas encontram obstáculos para transformar a autorização em patrocínio.

Criada em 2024 pela Rede Igapó e pelo Instituto Futebol de Rua, a Rede CT – Capacitação e Transformação já participou da formação de 316 organizações da sociedade civil, distribuídas por 75 municípios dos nove estados da Amazônia Legal.

Desde o início da iniciativa, mais de 106 projetos que passaram pelos processos formativos foram aprovados, somando mais de R$ 90 milhões em recursos autorizados à captação. O valor representa 22% das propostas aprovadas na região e 15,2% de todo o montante disponível para captação na Amazônia Legal.

As organizações participantes também já conseguiram captar mais de R$ 21 milhões para colocar os projetos em prática.

Entre os estados atendidos, o Pará aparece na liderança, com 61 organizações participantes, seguido por Mato Grosso (54), Amazonas (53), Maranhão (35), Amapá (28), Acre (25), Rondônia (22), Roraima (20) e Tocantins (18).

Para Fernando Salum, diretor da Rede Igapó, ampliar o acesso aos mecanismos de financiamento também significa enfrentar desigualdades históricas na região.

“A Amazônia Legal tem organizações com enorme potência de transformação social, mas que muitas vezes não acessavam esses mecanismos por falta de apoio técnico, redes de conexão e oportunidades.”

A gerente de projetos da Rede CT, Gigi Favacho, destaca que o número recorde de projetos aprovados aumenta a pressão sobre empresas, marcas e demais agentes do mercado para ampliar os investimentos na região.

“São organizações sérias, atuantes e, a partir de agora, capacitadas, assessoradas e conectadas em rede”, afirmou.

Sobre a Rede CT

A iniciativa nasce da união de mais de 20 anos de experiência do Instituto Futebol de Rua em desenvolvimento e captação de recursos com a Rede Igapó em projetos incentivados. Tem como objetivo fortalecer organizações que utilizam o esporte como ferramenta de educação, inclusão, saúde e desenvolvimento social na Amazônia.

Fotos: Rede CT/Divulgação