Bioinseticida criado no Amapá elimina formigas-de-fogo com extratos naturais de pimenta
Uma pesquisa desenvolvida no Amapá está transformando conhecimento científico em uma solução inovadora para o combate às formigas-de-fogo, praga que causa prejuízos em áreas urbanas e rurais. Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amapá (Fapeap), o estudo resultou na criação do BioFire Tech, um bioinseticida produzido a partir de extratos naturais de pimentas amazônicas.
O projeto é coordenado pela pesquisadora Darley Calderaro Leal Matos, do Instituto Federal do Amapá (Ifap), campus Laranjal do Jari, e foi contemplado pelo programa Doutor Empreendedor, iniciativa que incentiva a transformação de pesquisas acadêmicas em produtos e negócios inovadores.
A tecnologia utiliza extratos de pimenta-de-cheiro, malagueta e dedo-de-moça para combater os insetos. Nos testes realizados em laboratório, a formulação à base de pimenta malagueta apresentou os melhores resultados, atingindo até 100% de mortalidade das formigas em menos de três horas após a aplicação.

Além da eficiência, os pesquisadores constataram que o produto manteve sua capacidade de combate mesmo após semanas de armazenamento. Os estudos também identificaram propriedades antioxidantes e compostos bioativos que potencializam a ação da formulação.
A ideia surgiu a partir de uma prática popular utilizada para afastar formigas com pimenta. A observação levou os pesquisadores a aprofundar os estudos e desenvolver uma alternativa sustentável aos inseticidas químicos convencionais.
Os avanços já ultrapassaram o ambiente acadêmico. O projeto conta com um protótipo funcional, processo de patenteamento em andamento e uma startup estruturada para viabilizar a produção e comercialização do produto.
Para os pesquisadores, a iniciativa demonstra o potencial da ciência produzida na Amazônia para gerar soluções voltadas aos desafios da própria região. Além de contribuir para o controle de pragas, o bioinseticida valoriza matérias-primas locais e fortalece a bioeconomia, estimulando inovação, empreendedorismo e desenvolvimento sustentável.
O projeto recebeu apoio financeiro e institucional da Fapeap, que destaca a importância de investir em pesquisas capazes de gerar benefícios diretos para a sociedade e criar novas oportunidades econômicas no estado.
Foto de capa: arquivo pessoal

