Mangueira leva Mestre Sacaca à Sapucaí e coloca o Amapá em destaque neste domingo
No domingo de Carnaval, 15 de fevereiro, o Amapá ocupará lugar de destaque no maior palco do samba brasileiro. A Estação Primeira de Mangueira entra na Marquês de Sapucaí com o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, uma homenagem a Raimundo dos Santos Souza, o Mestre Sacaca, símbolo da cultura, da ancestralidade e dos saberes tradicionais amapaenses.
Ao escolher Mestre Sacaca como tema, a Mangueira promove uma mudança de perspectiva sobre a Amazônia. O desfile deixa de lado visões estereotipadas e coloca em evidência a Amazônia Negra, os quilombos, o marabaixo e a força cultural do povo tucuju. A proposta destaca o Amapá como território de produção cultural viva, com identidade própria e protagonismo histórico.
Reconhecido como guardião dos saberes populares, Mestre Sacaca foi profundo conhecedor das plantas medicinais da floresta, defensor do meio ambiente, incentivador da cultura popular e personagem marcante do carnaval amapaense, onde também atuou como rei momo. Sua trajetória inspira o enredo que será apresentado na avenida, conectando tradição, espiritualidade e resistência.

Um dos momentos mais emblemáticos do desfile será a presença do marabaixo na bateria da Mangueira. A tradicional caixa de marabaixo, símbolo da cultura afro-amazônica do Amapá, foi incorporada ao ritmo da escola, levando à Sapucaí um som ancestral que ecoa identidade, memória e pertencimento.
Mais do que um tema carnavalesco, o enredo representa um marco cultural. O Amapá participa ativamente da construção da narrativa apresentada pela escola, reafirmando que não é apenas inspiração, mas agente criador do espetáculo.
A escola deve entrar na avenida entre 2h. Membros da família Sacaca irão participar do desfile.

30 e 3h, levando à Sapucaí um desfile que une Rio de Janeiro e Amapá em uma celebração da Amazônia Negra, da ancestralidade e da força cultural do povo tucuju.
Mestre Sacaca
O samba-enredo da Mangueira representa um encontro simbólico entre a cultura tucuju e o samba carioca, projetando para o Brasil e o mundo a força da ancestralidade amazônica. Um privilégio para o Amapá ser cantado na Avenida Marquês de Sapucaí no Carnaval 2026.
O enredo destaca a figura do Mestre Sacaca, curandeiro e defensor dos povos da floresta, que representa a união entre a medicina tradicional da floresta e a herança espiritual dos povos negros. A narrativa mergulha na história afro-indígena do Norte do Brasil, celebrando a força das populações tradicionais e a importância do conhecimento ancestral na preservação da identidade cultural.
Letra do samba
Finquei minha raiz
No extremo Norte, onde começa o meu país
As folhas secas me guiaram ao Turé
Pintada em verde e rosa, jenipapo e urucum
Árvore-mulher, Mangueira quase centenária
Uma nação incorporada
Herdeira quilombola, descendente Palikur
Regateando o Amazonas no transe do caxixi
Corre água, jorra a vida do Oiapoque ao Jari
Çai erê, babalaô, Mestre Sacaca
Çai erê, babalaô, Mestre Sacaca
Te invoco do meio do mundo pra dentro da mata
Te invoco do meio do mundo pra dentro da mata
Salve o curandeiro, Doutor da Floresta
Preto Velho, saravá
Macera folha, casca e erva
Engarrafa a cura, vem alumiar
Defuma folha, casca e erva… saravá
Negro na marcação do marabaixo
Firma o corpo no compasso
Com ladrões e ladainhas que ecoam dos porões
Ergo e consagro o meu manto
Às bênçãos do Espírito Santo e São José de Macapá
Sou gira, batuque e dançadeira (areia)
A mão de couro do amassador
Encantaria de benzedeira que a Amazônia Negra eternizou
Yá, Benedita de Oliveira, mãe do Morro de Mangueira
Abençoe o jeito tucuju
A magia do meu tambor te encantou no jequitibá
Chamei o povo daqui, juntei o povo de lá
Na Estação Primeira do Amapá
Compostiores: Pedro Terra, Tomaz Miranda, Joãozinho Gomes, Paulo César Feital, Herval Neto e Igor Leal
Intérprete: Dowglas Diniz
Fotos: Mangueira/Divulgação

