Garimpos ilegais ameaçam santuários de árvores gigantes na Amazônia, alerta campanha

O movimento “Proteja as Árvores Gigantes” lançou na sexta-feira, 22, uma nota técnica alertando sobre as crescentes ameaças às árvores monumentais da Amazônia e cobrando medidas urgentes de proteção. O documento será encaminhado aos órgãos ambientais estaduais e federais.

Descobertas em 2022, por meio de uma pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) realizada em parceria com diversas instituições nacionais e internacionais, as 20 maiores árvores centenárias registradas na Amazônia e na América Latina — todas da espécie angelim-vermelho (Dinizia excelsa), com alturas entre 70 e 88 metros e idades entre 400 e 600 anos — correm risco de desaparecer antes mesmo de serem estudadas pela ciência, ameaçadas pelo garimpo ilegal, desmatamento e grilagem de terras. O alerta é da campanha “Proteja as Árvores Gigantes”, liderada pelo instituto O Mundo Que Queremos, em parceria com outras 20 organizações ambientais e pesquisadores.

No Amapá, sete árvores foram identificadas, distribuídas entre a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru, a Floresta Nacional do Amapá e assentamentos na região de Maracá-Camaipi. Entre elas, destaca-se um angelim-vermelho de 85,44 metros, o segundo maior já registrado, localizado na RDS do Rio Iratapuru.

O movimento defende a criação de uma unidade de conservação de proteção integral para garantir a preservação desses exemplares. Pressões como o garimpo ilegal de ouro ameaçam diretamente o santuário: moradores relatam sinais de mineração clandestina, como alterações na coloração da água e clareiras recentes na floresta.

No Amapá, a cerca de 1 km da segunda maior árvore já encontrada opera um garimpo ilegal, vizinho ao garimpo São Domingos, outro foco antigo de mineração clandestina na região.

Em 2024, o Ministério Público do Amapá obteve parecer favorável da Secretaria de Estado do Meio Ambiente para o reconhecimento das sete árvores gigantes como patrimônio natural. A recomendação propõe o tombamento dos exemplares e a criação de uma Área de Preservação Permanente (APP) com raio de 1 km ao redor de cada árvore.

Essas árvores têm grande valor científico e climático, registrando informações sobre secas, cheias, estoques de carbono e mudanças atmosféricas ao longo de seus anéis de crescimento. Uma única árvore de grande porte pode armazenar até 80% da biomassa de carbono de um hectare.

A pesquisa que levou à descoberta contou com tecnologias avançadas de sensoriamento remoto e mais de 900 sobrevoos na região. Participaram pesquisadores de instituições brasileiras e internacionais, como o Instituto Federal do Amapá (IFAP), a Universidade Estadual do Amapá (UEAP), a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e as universidades de Swansea e Cardiff, no Reino Unido.

Segundo os pesquisadores, essas árvores são verdadeiros arquivos vivos da história climática e ecológica da Amazônia, acumulando informações valiosas em seus anéis de crescimento.

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Fotos: Divulgação