Com homenagem ao Mestre Sacaca, Mangueira termina em sexto lugar e vai ao Desfile das Campeãs
A Unidos do Viradouro conquistou o título do Carnaval do Rio de Janeiro 2026 após a apuração das notas do Grupo Especial, realizada na tarde desta Quarta-feira de Cinzas, na Marquês de Sapucaí. Com o enredo “Pra cima, Ciça!”, a escola exaltou, em vida, Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça, de 69 anos, comandante da bateria, e garantiu o primeiro lugar na disputa.

Já a Estação Primeira de Mangueira, que levou à avenida o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, emocionou o público ao homenagear o Amapá e a cultura afro-amazônica. Apesar dos elogios e da forte repercussão, a escola terminou a apuração na sexta colocação, assegurando presença no Desfile das Campeãs.

Desfile das Campeãs – Carnaval do Rio 2026
As seis escolas que voltam à avenida no Sábado das Campeãs são:
- Viradouro
- Beija-Flor
- Vila Isabel
- Salgueiro
- Imperatriz
- Mangueira
Mangueira exalta o Amapá e a ancestralidade amazônica
O desfile da Mangueira foi marcado por um forte discurso de cultura, identidade e ancestralidade, tendo como figura central Mestre Sacaca (Raimundo dos Santos Souza), conhecido como o “Doutor da Floresta”. O enredo seguiu a tradição da verde e rosa de valorizar a resistência, os saberes populares e os mestres da cultura brasileira.
A narrativa foi construída em cinco “encantos”, evocando rituais como o Turé, saberes indígenas do extremo Norte, o marabaixo, as encantarias da floresta e os conhecimentos tradicionais das garrafadas. O refrão “Chamei o povo daqui, juntei o povo de lá” reforçou o sentimento de brasilidade e união cultural, sem fronteiras geográficas.

Da comissão de frente — que encantou com onças iluminadas — ao encerramento do desfile, a escola levou cerca de 3 mil componentes, distribuídos em 27 alas, cinco alegorias e um tripé.

A família de Mestre Sacaca, incluindo viúva, filhos e netos, foi destaque no último carro alegórico. A intérprete amapaense Patrícia Bastos deu voz ao samba, enquanto personalidades negras e quilombolas do Amapá também brilharam na avenida, como Francisco Lino, fundador de Boêmios do Laguinho; Pedro Bolão, quilombola que mantém a tradição de confeccionar caixas de marabaixo; Joaquina Jacarandá, pioneira de Mazagão; a militante do movimento negro, Alzira Nogueira; e a jovem quilombola Cleane Ramos. A bateria contou ainda com 15 tocadores de caixa de marabaixo, integrando o ritmo amazônico ao samba carioca.
Fotos: Max Renê

