Câmara de Macapá aprova criação de Comissão Processante para investigar vice-prefeito

A Câmara Municipal de Macapá instalou, nesta quinta-feira, 12 de março, Comissão Processante para apurar denúncia por supostas infrações político-administrativas atribuídas ao vice-prefeito do município, Mario Rocha de Matos Neto.

A comissão é formada pelos vereadores Ezequias Silva (PSD), que preside os trabalhos; Alexandre Azevedo (Podemos), designado relator; e Zé Luiz (PT), membro.

A criação da Comissão Processante ocorreu após o plenário da Câmara deliberar, por 14 votos favoráveis e 6 contra, pelo recebimento da Representação nº 002/2026, apresentada pela cidadã Cleiziane Miranda da Silva.

Entre os pontos apresentados na denúncia estão questionamentos relacionados à gestão da Macapá Previdência (MacapáPrev). O documento menciona dados divulgados em reportagens que indicariam redução significativa no saldo financeiro do instituto, que teria passado de cerca de R$ 181,8 milhões em janeiro de 2023 para aproximadamente R$ 105 milhões em julho de 2024.

A representação também cita registros de retiradas consideradas atípicas, além de apontamentos sobre possível desequilíbrio atuarial e inconsistências entre registros contábeis e extratos bancários.

Outro fundamento da denúncia está relacionado à investigação conduzida no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a Concorrência Eletrônica nº 01/2023 – SEMSA/PMM, destinada à construção do Hospital Geral Municipal de Macapá.

Segundo a denúncia, o vice-prefeito poderia ter responsabilidade político-administrativa por integrar o núcleo superior da gestão municipal e por ter exercido o cargo de secretário municipal de Finanças durante parte do período mencionado.

Tramitação do processo

Com a instalação da Comissão Processante, será iniciada a fase de instrução do processo político-administrativo.

Conforme prevê a legislação, o representado deverá ser notificado para apresentação de defesa prévia, enquanto a comissão poderá realizar diligências, solicitar documentos e colher depoimentos.

Ao final dos trabalhos, a Comissão Processante apresentará um parecer conclusivo, que será submetido à apreciação e votação do plenário da Câmara Municipal de Macapá.

Caso sejam confirmadas as infrações político-administrativas, a legislação prevê, entre as possíveis sanções, a cassação do mandato.

Texto: Érica Favacho/Secom CMM/ Foto: Andrew Lucena/Secom CMM