Operação ‘Sangria’ mira organização suspeita de desviar R$ 60 milhões no Amapá; Mandados foram cumpridos em Macapá e Brasília
A Polícia Civil do Amapá deflagrou, nesta quarta-feira, 7, a “Operação Sangria”, que investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento em um esquema de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro.
A ação ocorreu simultaneamente em Macapá e Brasília (DF), com apoio operacional da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).

No Amapá, a operação foi coordenada pela Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).
Ao todo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em seis endereços residenciais e dez comerciais ligados aos investigados, incluindo uma barbearia e outras empresas. Os alvos estão distribuídos por Macapá e pela região do Sudoeste, em Brasília.

Investigação
Segundo a Polícia Civil, o grupo teria atuado entre 2022 e 2026 a partir da alta gestão de uma empresa privada, provocando um prejuízo estimado em R$ 60 milhões.
A investigação ganhou novos elementos em abril deste ano, após o principal investigado, que ocupava um cargo de gestão na empresa, comunicar à polícia o suposto furto de quatro embarcações.

Durante as diligências, porém, os investigadores descobriram que a denúncia teria sido utilizada para encobrir uma fraude. Segundo a apuração, o próprio gestor teria repassado as embarcações como garantia de uma dívida com um suposto agiota, após acumular débitos pessoais milionários.
Como funcionava o esquema
Conforme a Draco, a organização era dividida em núcleos com funções específicas: gerencial, financeiro e um grupo responsável pela emissão de documentos fiscais.
Empresas apontadas como de fachada teriam emitido notas fiscais falsas, simulando a prestação de serviços ou o fornecimento de mercadorias que não existiam. Os pagamentos eram posteriormente autorizados por integrantes da área financeira da empresa investigada, permitindo o desvio e a lavagem dos recursos.
A investigação aponta ainda que parte do dinheiro teria sido utilizada para manter um padrão de vida elevado dos envolvidos, incluindo viagens, despesas familiares, aluguel de aeronaves particulares e construções de alto padrão.
Somente o principal investigado teria recebido mais de R$ 13 milhões diretamente em contas próprias e de familiares, segundo a Polícia Civil.

Apreensões
Durante a operação, os policiais apreenderam celulares, computadores, mídias eletrônicas, veículos e dinheiro em espécie.
A Justiça também autorizou a extração forense e a quebra do sigilo dos dados armazenados nos dispositivos apreendidos. O material será analisado pelos investigadores para aprofundar a apuração, identificar a movimentação dos recursos e verificar a eventual participação de outras pessoas no esquema.
As investigações continuam.
Veja abaixo a entrevista com o delegado Estefano Santos, titular da Draco:
Fotos e vídeos: PC/Divulgação

