Polícia Civil apreende R$ 2 milhões em espécie e bloqueia outros R$ 3 milhões em operação no Amapá

A Polícia Civil do Amapá apreendeu cerca de R$ 2 milhões em dinheiro vivo durante uma operação deflagrada nesta sexta-feira, 18, em Macapá. A ação também resultou no sequestro de aproximadamente R$ 3 milhões que estavam em contas bancárias e na prisão em flagrante de duas pessoas.

Segundo o delegado Estéfano Santos, a investigação é um desdobramento de uma operação realizada em maio do ano passado, que tinha como alvo uma facção do Rio de Janeiro com atuação no Amapá. Durante as apurações, os investigadores identificaram um conglomerado de empresas que estaria recebendo valores de origem ilícita, muitos deles provenientes do tráfico de drogas.

De acordo com o delegado, entre as empresas investigadas havia negócios que seriam utilizados como fachada para movimentar o dinheiro. Uma delas passou a chamar a atenção da polícia nos últimos dias após começar a receber grandes quantias e realizar saques sucessivos.

A movimentação financeira levou os investigadores a intensificarem o monitoramento. Após reunir informações, a Polícia Civil solicitou ao Poder Judiciário mandados de busca e apreensão e o sequestro de valores. As medidas foram cumpridas nesta sexta-feira.

Dinheiro teria chegado de Santarém

Segundo Estéfano Santos, “esses valores especificamente chegavam de Santarém por meio de embarcações”. Além disso, foram identificados diversos saques realizados no estado.

“A gente vinha monitorando há pelo menos quatro semanas, com mais afinco, esse grupo criminoso”, afirmou o delegado.

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais conseguiram localizar o dinheiro e também apreenderam uma arma de fogo de calibre permitido. Duas pessoas foram presas em flagrante, segundo a Polícia Civil.

Investigação apura lavagem de dinheiro

Ainda conforme o delegado, os valores apreendidos estariam relacionados a um possível esquema de lavagem de capitais. A investigação busca identificar como o dinheiro era movimentado e inserido no sistema financeiro para posteriormente ser utilizado como proveito econômico das atividades criminosas.

Estéfano Santos afirmou que, apesar das duas prisões realizadas durante a operação, a polícia trabalha com a possibilidade de que outras pessoas estejam envolvidas no esquema.

Maior apreensão de dinheiro vivo no Amapá

O delegado também afirmou que a apreensão de aproximadamente R$ 2 milhões em espécie é a maior já registrada pela Polícia Civil do Amapá.

“Essa aqui é a maior apreensão em dinheiro vivo na história do Amapá. Até então, a gente não tinha um numerário dessa importância. Então, nos chama bastante atenção e nos mostra a audácia do crime organizado que vem se aperfeiçoando cada dia mais” afirmou.

Segundo ele, o volume apreendido chama a atenção para a estrutura utilizada pelo grupo investigado e demonstra, conforme sua avaliação, o nível de organização empregado para movimentar os recursos.

Dinheiro era escondido em caixas

A Polícia Civil também investiga a forma utilizada para transportar e ocultar o dinheiro. Conforme o delegado, os valores eram colocados dentro de caixas que apresentavam logotipos de lojas de motocicletas.

Por cima do dinheiro, eram colocadas capas de chuva utilizadas por motociclistas. Dessa forma, segundo a investigação, as caixas aparentavam transportar apenas peças e produtos relacionados a motocicletas.

“Então, a pessoa, o curioso que fosse abrir, ia pensar que seria apenas peças de moto”, explicou o delegado.

As investigações continuam para identificar todos os envolvidos, esclarecer a origem e o caminho percorrido pelo dinheiro e verificar há quanto tempo o esquema estaria em funcionamento.

Fotos: PC/Divulgação