Oito são presos em operação contra facção que escondia fuzis e lavava dinheiro no Amapá; VÍDEO

A Polícia Civil do Amapá deflagrou, no fim de semana, a Operação Midas Reverso, coordenada pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), para desarticular uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas, armazenamento de armas de uso restrito e lavagem de dinheiro.

Até o momento, oito pessoas foram presas, sendo cinco mulheres e três homens. A operação busca cumprir 15 mandados de prisão e de busca e apreensão, e as diligências continuam em andamento.

As investigações tiveram início após a prisão em flagrante de um homem de 23 anos, no bairro Ipê, na zona norte de Macapá. Com ele, os policiais apreenderam porções de crack, um tablete de cocaína em pó e dois fuzis de fabricação israelense, calibre .30, além de seis carregadores e uma grande quantidade de munições.

Segundo a Denarc, a análise de celulares e outros dispositivos eletrônicos, realizada com autorização judicial, permitiu identificar a estrutura e o funcionamento do grupo, que teria ligação com uma facção criminosa de atuação nacional e ramificações no Amapá e no Pará.

Como atuava a organização criminosa

De acordo com as investigações, a organização possuía funções divididas entre logística, armazenamento de armamentos, distribuição de drogas, comando e movimentação financeira.

O homem preso no bairro Ipê seria responsável pela distribuição de crack e cocaína em Macapá e pela guarda do armamento e das munições. A investigação também aponta que ele atuava no refino e preparo dos entorpecentes.

A liderança estadual da organização teria sido identificada como foragida da Justiça e escondida no Rio de Janeiro. De acordo com a Polícia Civil, de lá, o grupo coordenava rotas de fornecimento, valores das cargas, distribuição e cobrança.

Os investigadores também identificaram operadores responsáveis pelo abastecimento de pontos de venda nos bairros Buritizal, Santa Rita, Novo Horizonte, Brasil Novo, Açaí e Jardim Felicidade.

Ainda segundo a investigação, o grupo utilizava empresas de fachada, incluindo estabelecimentos do comércio varejista, como lojas de vestuário e moda praia, além de empregos fictícios e contas bancárias de terceiros para movimentar recursos provenientes do tráfico. As transações eram realizadas principalmente por meio de Pix entre contas no Amapá e no Pará.

Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa armada, associação para o tráfico, tráfico de drogas, posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e lavagem de dinheiro.

Operação “Midas Reverso”

O nome da operação faz referência ao mito do Rei Midas, personagem conhecido por transformar em ouro tudo o que tocava. Segundo a Polícia Civil, a expressão “Midas Reverso” representa a atuação da operação contra os lucros e patrimônios obtidos ilegalmente, com bloqueio de recursos e descapitalização da organização criminosa.

Foto e vídeo: Denarc/Divulgação