Policial Militar e guardas municipais são alvos de operação que investiga comércio ilegal de armas no Amapá

A Polícia Civil do Amapá deflagrou, na manhã desta terça-feira, 30, a Operação Tarpeia, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa investigada por atuar no comércio ilegal de armas de fogo e munições no estado. A investigação aponta o envolvimento de agentes de segurança pública no esquema. A ação foi coordenada pela Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e Coordenadoria Especial e Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (CECCOR).

As apurações tiveram início a partir de desdobramentos de outra operação realizada em julho de 2025. Com autorização judicial para quebra de sigilo, os investigadores identificaram uma rede estruturada de negociação clandestina de armas de diversos calibres, incluindo armamentos de uso permitido e restrito, além de grande quantidade de munições.

Segundo a Polícia Civil, as conversas obtidas durante a investigação revelaram negociações de compra e venda de armas, movimentação de altos valores em dinheiro e discussões sobre técnicas de adulteração ou supressão de números de série para dificultar a identificação da origem dos armamentos.

Com base nas provas reunidas, a Justiça autorizou o cumprimento de mandados de prisão preventiva, busca e apreensão, afastamento cautelar de funções públicas e suspensão do porte e da posse de armas dos investigados.

Alvos da operação

Entre os alvos está um primeiro-tenente da Polícia Militar, de 42 anos, apontado como um dos principais fornecedores de armas e munições da organização criminosa. Contra ele foram cumpridos mandados de prisão preventiva, busca e apreensão, além da suspensão do exercício da função pública e do direito de porte e posse de armas.

Também foi preso um homem de 31 anos, identificado como intermediador da rede e responsável pela captação de clientes e distribuição dos armamentos.

Outros dois investigados são guardas civis municipais, de 47 e 50 anos. Um deles é suspeito de comercializar ilegalmente uma pistola e registrar um falso boletim de ocorrência para simular o extravio da arma. O outro é investigado por atuar como intermediador nas negociações e por apresentar indícios de envolvimento na adulteração de numeração de armas de fogo.

Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, pelos crimes de comércio ilegal de arma de fogo, associação criminosa armada e fraude processual.

Segundo a Polícia Civil, o nome Tarpeia faz referência à personagem da mitologia romana que traiu a cidade de Roma ao permitir a entrada de inimigos na cidadela. A escolha simboliza, de acordo com a corporação, a quebra de confiança de agentes públicos que teriam utilizado suas funções para abastecer o mercado clandestino de armamentos.

O Portal CF procurou o comando da Guarda Civil Municipal de Macapá e aguarda manifestação sobre o caso.

Em nota, a Polícia Militar do Amapá informou que está colaborando com a Polícia Civil, fornecendo todas as informações institucionais necessárias às investigações.

Veja nota da PM na íntegra:

A Polícia Militar do Amapá informa que está colaborando com a Polícia Civil, fornecendo as informações institucionais necessárias à investigação que resultou na prisão de um policial militar.

Por determinação do Comandante-Geral, a Corregedoria-Geral da PMAP instaurará procedimento administrativo para apurar a conduta do militar, assegurando o devido processo legal.

A Polícia Militar do Amapá reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a ética, não compactuando com qualquer desvio de conduta

Veja abaixo a entrevista com o delegado Estéfano Santos, titular da Draco:

Fotos e vídeo: PC/Divulgação