Bailarino do Amapá leva identidade amazônica aos palcos europeus
O talento da dança amapaense ganhou projeção internacional nesta semana. Natural de Macapá, o bailarino e coreógrafo Pablo Sena estreou, na terça-feira, 16, no tradicional Théâtre de Moulins, na França, com o espetáculo “Olga, a Pequena Garota da Neve”, produção da Academia de Coreografias de Moulins. As apresentações seguiram na quarta-feira, 17, e nesta quinta-feira, 18, totalizando cinco sessões, com expectativa de público de cerca de 3 mil pessoas.
Há três meses em intercâmbio artístico na Europa, Pablo integra o elenco da montagem e assume os principais papéis masculinos do espetáculo, interpretando variações consagradas do balé clássico internacional, como O Corsário e O Príncipe Désiré. As performances evidenciam o domínio técnico, a força interpretativa e a presença cênica do artista amapaense.
A trajetória internacional teve início durante a Bienal de Dança de Lyon, por meio de um intercâmbio com o coletivo Original Bomber Crew, do Piauí, iniciativa que destacou a dança brasileira em solo francês. Após um mês de residência artística, Pablo foi selecionado para integrar a Académie Chorégraphique de Moulins, consolidando sua entrada no circuito profissional europeu.
Inspirado em lendas russas, o espetáculo conduz o público a um universo de conto de fadas. A história acompanha Olga, uma menina nascida da neve, dona de um coração de gelo, que vive nos céus com seus pais — Inverno e Primavera — e sonha em conhecer a Terra. Ao longo da jornada, a personagem descobre a amizade, o afeto e a transformação, culminando em um desfecho mágico na noite de Natal.
Cofundador do Grupo Âmago, Pablo Sena construiu uma carreira marcada pela valorização da identidade cultural amazônica. O artista já foi premiado no Festival Internacional de Dança de Goiás e no Encontro Pan-Americano de Dança da Amazônia, além de representar o Brasil em intercâmbios artísticos no Uruguai e integrar o Palco Giratório 2025, do Sesc, como convidado do seminário do projeto.
Para o bailarino, a estreia na Europa representa mais do que um avanço profissional: simboliza a celebração de 20 anos dedicados à arte.
“Sou um artista nascido e criado no Laguinho, bairro de forte identidade cultural em Macapá. Minhas raízes estão no samba, no carnaval, na toada e nas quadras juninas. Chegar a um palco europeu levando essa história é motivo de orgulho coletivo. Cada passo carrega ancestralidade e memória”, destacou.
A presença de Pablo Sena em palcos históricos da Europa reafirma o potencial da arte produzida na Amazônia e projeta o nome do Amapá no cenário internacional da dança.
Foto: Arquivo pessoal Pablo Sena

