30º Encontro dos Tambores: concurso celebra ancestralidade e coroa os mais belos Negros do Amapá

O Centro de Cultura Negra Raimundinha Ramos (CCNRR) foi tomado por elegância, orgulho e ancestralidade na noite desta quinta-feira, 27, durante o concurso que celebrou a beleza e a representatividade do povo negro no encerramento do 30º Encontro dos Tambores. No palco onde ecoam décadas de resistência cultural, foram coroados: Rosângela Cardoso, a nova Mais Bela Negra; Guilherme Campos, o Mais Belo Negro; e Daphne Rocha, eleita Mais Bela Diversidade.

Meses de preparação culminaram na celebração, um rito de passagem vivido sob luzes, tambores e a energia vibrante da comunidade negra. A abertura emocionou o público com o desfile dos 10 candidatos ao som de “Olhos Coloridos”, clássico de Sandra de Sá, na interpretação da Mais Bela Negra 2023/24, Lorrany Mendes. O palco recebeu ainda um tributo às ex-Mais Belas Negras e às Pérolas Negras, reverenciando quem abriu caminhos e fincou raízes.

Disputaram o título cinco candidatas na categoria Mais Bela Negra, três concorrentes ao Mais Belo Negro e duas participantes na Mais Bela Diversidade. Os desfiles passaram por traje típico, gala, traje de banho e prova de oratória. Cinco jurados avaliaram o conjunto das performances, observando critérios como beleza, simpatia, postura, elegância, dança e expressão cultural.

Para os vencedores, o momento foi marcado por emoção e consciência do próprio papel como inspiração para outras gerações. A Mais Bela Negra, Rosângela Cardoso, ressaltou o poder do sonho e da autoestima.

“Estou mostrando para as jovens que elas podem sonhar e podem chegar aonde quiserem, com esforço e garra”.

Mais Bela Negra, Rosângela Cardoso

O Mais Belo Negro, Guilherme Campos, destacou a força da representatividade e do pertencimento.

“É uma honra estar nesse lugar de protagonismo. Não represento só a mim, mas toda a juventude da minha comunidade, que sonha ocupar este espaço que é nosso”.

Mais Belo Negro, Guilherme Campos

Na categoria Diversidade, Daphne Rocha reforçou a importância do reconhecimento da população negra em toda sua pluralidade.

“É uma grande conquista para nossa população negra e para nossas comunidades quilombolas. Quero inspirar outras Negras Diversidades a ocuparem esse espaço.”

Mais Bela Negra Diversidade, Daphne Rocha

Os campeões de cada categoria receberam premiação de R$ 5 mil, além das faixas oficiais.

O concurso encerrou com brilho o 30º Encontro dos Tambores, que reuniu 13 dias de programação cultural, espiritual e artística. O evento foi realizado pela União dos Negros do Amapá (UNA) e pelo Instituto Língua Solta, com patrocínio cultural do Governo do Amapá — por meio da Fundação Marabaixo e da Secult — e apoio da Funarte.

Por Rafaelli Marques/Assessoria de comunicação do 30° Encontro dos Tambores – UNA

Fotos: Gabriel Penha