Missa dos Quilombos: celebração da fé, ancestralidade e resistência no 30º Encontro dos Tambores
Nesta quinta-feira, 20, às 19h30, o Centro de Cultura Negra Raimundinha Ramos (CCN), no Laguinho, será mais uma vez palco de um dos momentos mais simbólicos do 30º Encontro dos Tambores – “O tambor que nos une”: a Missa dos Quilombos, celebração que une religiosidade, memória histórica e identidade afro-brasileira.
A cerimônia evidencia a fusão entre ritos católicos e elementos culturais da ancestralidade negra, relembrando práticas, ritmos e narrativas que remetem à África antiga e à resistência dos quilombos no Brasil. Considerada uma expressão artística e espiritual, a Missa dos Quilombos homenageia a luta do povo negro por liberdade, autonomia e justiça social — especialmente no Dia Nacional da Consciência Negra, data marcada pela memória de Zumbi dos Palmares, líder quilombola cuja morte é lembrada neste dia.
Presidida pelo padre Paulo Mathias, em conjunto com sacerdotes de religiões de matriz africana, a celebração integra música sacra, folclore, canto, dança e manifestações tradicionais. Elementos como cana-de-açúcar, mandioca, feijoada, capoeira, caixas de marabaixo, tambores e rodas de marabaixo compõem o cenário ritualístico, exaltando a espiritualidade e a força cultural do povo negro.
Um dos momentos mais marcantes é o Ofertório, quando alimentos são levados à mesa como símbolo de fartura e esperança para que o alimento nunca falte a quem deposita sua fé. E não faltará o banho de cheiro, momento de axé e renovação espiritual.
O 30º Encontro dos Tambores é uma realização da União dos Negros do Amapá (UNA) e Instituto Língua Solta, com patrocínio cultural do Governo do Amapá, por meio da Fundação Marabaixo e da Secult, e apoio da Fundação Nacional de Arte (Funarte).
Por Rita Torrinha
Foto: Gabriel Penha/GEA

