Operação ‘Protetor’ prende dois suspeitos de vender munições a facções; um é aprovado em concurso da Polícia Penal

Nesta quarta-feira, 10, uma equipe do Grupo Tático Aéreo (GTA), empregada na operação Protetor, recebeu informações da Coordenadoria de Inteligência e Operações (CIOP) da Sejusp sobre a comercialização de munições de diversos calibres para membros de facções criminosas. O material estaria sendo transportado em um veículo Celta de cor cinza, de propriedade de Odileno Tavares, que, segundo a denúncia, estaria usando seu registro como CAC (Colecionador, Atirador e Caçador) para a prática ilegal.

O veículo foi abordado em via pública, mas o proprietário não foi encontrado. Os ocupantes informaram que Odileno estava em uma residência localizada na Rua 28 de Julho, bairro Laurindo Banha, zona sul de Macapá. A equipe se deslocou até o local e, após contato no portão, o morador permitiu a entrada dos policiais. Ele confirmou ser CAC e declarou possuir algumas cápsulas de munição em sua casa. A equipe localizou os materiais no quarto da filha do acusado.

Questionado sobre a existência de outros itens ilícitos, Odileno negou, mas foram encontradas em um armário da cozinha três caixas contendo 132 munições de calibre .38. Ele afirmou que estaria comercializando o material a mando de um indivíduo identificado como Werly dos Santos Silva, que se dizia policial penal e que teria mais seis caixas da mesma munição em sua residência.

Diante das informações, a equipe se deslocou até a casa indicada no bairro Novo Horizonte. Durante buscas, foram encontrados mais cinco caixas de munições calibre .38, um carregador de pistola calibre 9mm em um guarda-roupa, uma maleta com pistola Taurus TH9 9mm, coturno, coldre e cantil. O Ciop foi informado sobre a possível localização de Werly, que foi abordado por uma viatura do 1º BPM dentro de um atacadista. Ele estava de posse de uma pistola calibre 9mm na cintura. Inicialmente, se identificou como policial penal, mas depois negou a função. Também foram encontradas mais 15 munições calibre 9mm dentro do veículo, que foi deixado no local por estar sem combustível.

“O indivíduo identificado como Werly está aprovado no concurso da segurança pública para policial penal e ainda cumpre etapas do processo, mas foi flagrado nessa situação e agora responderá por porte ilegal de arma e comércio ilegal de munições. Odileno se disse vítima, alegando que teve quatro armas furtadas, todas registradas em seu nome como CAC. A Polícia Civil deve investigar esses registros dele. Essa ação desmantelou um esquema de comércio ilegal de munições, fazendo com que os suspeitos venham a responder na forma de lei”, destacou o capitão do GTA, Muller Bryan.

Os dois envolvidos, de 36 anos, e os materiais foram entregues à autoridade judiciária para as providências legais.

A reportagem tenta contato com as defesas dos detidos.

Materiais apreendidos:

  • 7 estojos de .45
  • 65 estojos de .40
  • 110 estojos de 9mm
  • 143 estojos de .380
  • 5 estojos de .357
  • 4 estojos de .32
  • 1 estojo de .38
  • 2 estojos de .22
  • 382 munições de .38
  • 51 munições de 9mm
  • 1 munição de .45
  • 1 munição de .22
  • Uma pistola TH9 9mm Taurus com maleta completa e dois carregadores
  • Um coldre de Kydex velado
  • Um porta-carregadores de Kydex velado
  • Um relógio dourado
  • Um cordão com pingente dourado
  • Aliança dourada
  • Um par de coturno preto
  • Um cantil
  • Um coldre de perna de tecido
  • Uma chave de veículo Toyota Corolla
  • Óculos de grau
  • Um celular iPhone dourado
  • Um celular Redmi azul
  • CNH e cartão do SUS de Odileno
  • 5 CRAFs (Certificado de Registro de Arma de Fogo) em nome de Odileno
  • 1 CRAF (Certificado de Registro de Arma de Fogo) em nome de Werly

Foto: GTA/Divulgação